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domingo, 14 de abril de 2019

Espinhos Danosos Agrupados: da construção à desconstrução de uma obra de minha autoria

Há exatamente um ano eu tive a ideia de produzir um trabalho artístico na Universidade de São Paulo, com matéria-prima encontrada na região onde nasci e fui criado. Região da caatinga nordestina (existe também a caatinga amazônica, diferente da nossa). Em minha penúltima temporada em Tanhaçu, município situado no interior da Bahia completamente inserido no bioma da caatinga, coletei de diversos mandacarus, sustentavelmente, cerca de mil espinhos de quinze a vinte centímetros de comprimento, muitos completamente secos, para criar algumas obras de arte, registrar e chamar a atenção, de alguma forma, para os riscos que este bioma exclusivamente brasileiro sofre. Riscos de extinção.
Eu já havia feito algumas esculturas, também designadas “desobjetos”, em 2010, como podem ser verificadas em fotografias no meu perfil do flickr (http://flickr.com/joviniano). Naquelas esculturas, usei água de rios que passam pelo município, terra do local, cascas de ovos de codorna e cera de abelhas nativas entre as partes. Dei o título de “Retorno às Origens”. Fiz tudo no Estado de São Paulo e cheguei a cadastrar as obras no I Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea, em 2011, sem sucesso. O mais bacana é que renomados professores de escolas tradicionais francesas de arte contemporânea e moderna comentaram sobre as obras e me cumprimentaram pela originalidade dos trabalhos. O que muito me incentivou a prosseguir com a ideia dos “desobjetos”. Eu criei várias esculturas depois, mas as obras desapareceram, pois é mais importante para as pessoas do meu convívio íntimo, terem um copo para tomar café, por exemplo, do que algo estético para apreciar, sem nenhuma utilidade, feito com tal copo.
Quatro anos depois de criar a primeira escultura com cactos, copos e taças, conheci um trabalho de Denise Milan e Ary Perez no antigo Museu de Arte Contemporânea da USP, hoje chamado “Espaço das Artes”. É uma obra exposta permanentemente e eu a conheci de perto, chegando inclusive a coletar um pouco daquela água e a recomendar que a administração do MAC fique de olho na obra devido às larvas de mosquitos que identifiquei (e registrei). Eu morava no quinto andar do Bloco G do Conjunto Residencial da Universidade e todos os dias, ao abrir a porta do apartamento para sair, dava de cara com tal obra. Tenho a impressão de que pouca gente a percebe. Ela se chama “Um Furo no Espaço” e é composta basicamente pelos mesmos materiais que compõem as minhas pequenas esculturas: cacto, rocha, mineral (quartzo) e água (no meu caso, incluo copos de cristal, vidro e aço). É um trabalho belíssimo “O Furo no Espaço”, cheio de significados, como a própria autora me explicou entusiasmada num comentário pelo Instagram.

Joviniano Netto. “Um Furo no Espaço”, de Denise Milan e Ary Perez. 
Acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. 
Foto: Rafael Silva Gargano (2018). 

Denise Milan expôs na última Bienal de Arte de São Paulo e é um dos grandes nomes da arte contemporânea do Brasil na atualidade. Acabou se tornando, também, uma referência para os meus trabalhos. Eu não vendi as minhas esculturas porque, em muitas delas, uso líticos pré-históricos encontrados na Chapada Diamantina e isto configuraria crime de usurpação da União, mas não me faltaram propostas no mercado negro de obras de arte. Propostas boas, inclusive. Penso que o artista precisa vender seus trabalhos, mas necessita ser responsável pelo que faz, assim como o cientista que escreve um texto acadêmico. É importantíssimo preservar a autoria da obra, ainda que ela seja desmontada ou destruída por quem não tem a sensibilidade para apreciar. No meu caso, às vezes, percebi que as pessoas estavam interessadas apenas nos líticos pré-históricos.
Até a Renascença não havia diferença clara entre ciência e arte. Naquele tempo, o ideal de homem universal era o que unia ambos os campos do conhecimento. Hoje, tenho a impressão de que há muita diferença entre uma coisa e outra. Tudo é uma construção. Fruto de uma construção mental e do trabalho. Eu sou mestre e faço doutorado em ciências e, assim, venho percebendo que há um tipo de apartheid intelectual diante das inúmeras especialidades dentro da Universidade de São Paulo. Infelizmente, as estruturas educacionais reforçam essa separação, em vez de extingui-las. Isto dentro da universidade onde, como o próprio nome diz, deveria ser local da universalização da cultura, da ciência, da filosofia, da arte e dos saberes.
A palavra “mandacaru” vem do tupi e significa, numa tradução literal, “espinhos danosos agrupados”. E é justamente este o nome que dei para a série de meus trabalhos recentes envolvendo espinhos desta planta da caatinga. Num dos trabalhos perfurei uma tela de linho de trás para frente com os espinhos; noutro, os agrupei e juntei as pontas formando um bastão; e na última, coloquei cerca de um quilo de areia (também da Chapada Diamantina) sobre uma placa de vidro, pondo um lítico pré-histórico sobre a areia e alguns espinhos voltados para cima, como mostrado no vídeo ao final deste texto.
Diante de alguns incidentes que aconteceram comigo no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, onde tive algumas de minhas obras destruídas por um morador desequilibrado e aparentemente doente da cabeça, viciado em drogas, como também posso comprovar em vídeos dele mesmo falando, eu precisei sair às pressas do campus numa certa manhã, pois recebi até ameaças de morte por parte de algumas pessoas sem caráter e mal-agradecidas que ajudei. Foi triste, mas não me arrependo de ter feito a caridade, pois estou com minha consciência tranquila e, para além do passado traumático, encontro-me novamente no meu lugar de origem, trabalhando muito e desenvolvendo a criatividade na Chapada Diamantina. Tudo foi relatado em ofícios na Superintendência de Assistência Social da USP e em publicações enviadas diretamente para a Reitoria da Universidade de São Paulo. Privilégio para poucos o meu estar aqui e, a cada dia, surge um novo trabalho que me enche de alegria. A arte para mim é uma alegria de viver.

Joviniano Netto. Foto: Roberto Abádio da Silva (2018).

Uma questão que sempre me pego pensando, inclusive quando eu produzo algo, é “para que servem as coisas?". A arte deve ter uma utilidade além da especulação financeira e apreciação estética. Não foi diferente com a última obra que criei (a composta por placa de vidro, areia, lítico pré-histórico e espinhos de mandacaru). A criei e, no dia seguinte, depois de fotografar e filmá-la amplamente, juntei metade dos espinhos coletados aqui na região da Chapada Diamantina, coloquei a areia e o lítico dentro de uma caixa preta e fui em direção ao Instituto de Geociências para doar a peça arqueológica. Só que, com um detalhe: para cada passo que dava, durante todo o trajeto, eu deixava cair no chão alguns espinhos, como na famosa história de João e Maria, em que o menino, tido como um tolo, joga migalhas de pão pelos caminhos da floresta. Aquela experiência foi incrível para mim. Indescritível. E arte, no meu caso, serve antes de tudo, para mim mesmo.
Eu já tinha uma pessoa em mente e, por sorte, a encontrei na biblioteca do Instituto. É uma mulher que ama o campo de geociências e trabalha há muitas décadas na biblioteca, sendo a funcionária mais antiga do Instituto de Geociências. Para a minha felicidade, ela ficou muito alegre e tenho certeza que parte da nossa história aqui da Bahia, da Chapada Diamantina, está em boas mãos agora. Dentro da Universidade de São Paulo com uma excelente guardiã de livros e do maior acervo de geociências do Brasil.
Este é um relato sobre uma série artística que construí e desconstruí. Não tenho nenhuma intenção em expor meus trabalhos artísticos para o público, haja vista que, no Brasil, novos artistas não têm vez. A arte, em muitos casos, precisa ficar oculta. É o caso das minhas esculturas e desobjetos. Dos meus desenhos e das minhas pinturas. Guardados a sete chaves, pois é o testemunho espiritual de quem produz. É o meu testemunho espiritual. Lembro que durante a pós-graduação em São Carlos já chegaram a dizer que meus trabalhos eram frutos de bruxaria. Quando eu morava sozinho, preparava festas para meus amigos no intuito de mostrar meus trabalhos a eles. Eu adorava! De fato, eu sou um bruxo. Eu estudo. A minha visão de bruxaria é pautada na beleza e no encanto. E o conhecimento vem com estudos. Espero que vocês tenham gostado do texto e, acaso se inspirem, produzam algo também. É assim que nascem os artistas! E a arte, antes de tudo, elucida.

Chapada Diamantina, Outono de 2019.







Vídeos: Joviniano Netto (2019).

terça-feira, 16 de agosto de 2016

35 anos de idade: gratidão!

35 anos de idade. Uma imensa saudade de quando eu era criança e tinha a presença das pessoas que amo como um porto seguro. Sonhos, buscas e objetivos para realizar. É assim que me sinto hoje, 16 de agosto, dia de meu aniversário.
Nasci às 6h da manhã em Brumado, interior da Bahia. Permaneci até os 18 anos numa cidade próxima chamada Tanhaçu. Morei em São José do Rio Preto (SP), onde cursei uma faculdade de Direito e quase me formei; em Londrina (PR), onde conheci a Geografia e me apaixonei pelas ciências humanas; em São Carlos (SP), onde aprendi a me educar “ambientalmente” numa especialização e onde me tornei mestre em ciências; em Guatapará (SP), onde experienciei como professor de Geografia, o poder do magistério. Atualmente vivo em São Paulo, tendo o prazer do convívio de gente “fina, elegante e sincera” (parafraseando a canção “Tempos Modernos”, de Lulu Santos), a começar pelos meus amigos.
Apesar da infância e adolescência conturbadas, tive uma vida de muito aprendizado ao longo dos caminhos que fui construindo e que me foram aparecendo. Quase me casei e por pouco me tornei pai. [Quase] concluí muitos cursos. Convivi com pessoas maravilhosas nesse processo todo e descobri que a juventude é um estado da alma. Um eterno estado da alma que mesmo em situações de depressão não devemos deixar morrer. Eu já sabia disso desde cedo, pois sempre me relacionei com pessoas mais velhas do que eu e que eram, no entanto, mais jovens do que muita gente “nova” que conheci. Fui fazendo questão de guardar umas memórias e abandonando outras, fui deixando pelos caminhos apenas as marcas do que [quase] foi um dia.
Recebi algumas ligações e muitas mensagens de felicidades nas redes sociais e nos e-mails. Grande parte das pessoas me desejou um “ótimo ano” e “prosperidade”. Coisa boa é fazer aniversário e ter certa consciência nítida da vida a cada nascer do sol. E a cada despedida, ter a certeza de que no dia seguinte, por volta do mesmo horário que eu nasci, lá estará ele [o sol] novamente iluminando a vida na Terra.
Sinto muita gratidão e não poderia deixar de compartilhar neste blog, fruto do ócio e da distração virtual, um pouco do meu agradecimento. Afora os problemas que todos nós temos, viver tem me ensinado uma coisa: é preciso saber o que nos faz feliz e procurar amar o que se faz. Em tudo, mesmo quando nada parece dar certo, buscar amar o que se faz é um meio de encontrar alegrias. Aceito todos os votos de felicidades e deixo aqui meu melhor abraço. Que venham outros “anos”, cheios de paz, luz e graça. Para todos nós!

Americana, SP, 16 de agosto de 2016.

Disponível em: http://bit.ly/2blBF2V

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Educação ambiental crítica: a participação popular e o papel do Poder Público no enfrentamento de problemas ambientais no Parque Natural Municipal da Gruta - Americana, SP


RESUMO

O presente projeto de pesquisa busca compreender como a Educação Ambiental Crítica pode contribuir para a conservação de ambientes naturais degradados. Para tanto, utiliza como estudo de caso uma unidade de conservação de proteção integral localizada no município de Americana, estado de São Paulo. Os trabalhos envolvem, além de visitas in loco ao Parque Natural Municipal da Gruta, a participação de atores ligados à gestão pública dos recursos naturais e da população de entorno. A proposta está alinhada a uma das recomendações feitas pelo Grupo de Trabalho “Turismo e Meio Ambiente” do Fórum de Turismo e Desenvolvimento Local, realizado na Câmara de Americana em novembro de 2015. Trata-se de um projeto ambiental voluntário, sem financiamento de órgãos de fomento ou instituições públicas e privadas.

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, a Educação Ambiental surgiu como uma maneira de despertar e sensibilizar as pessoas para a necessidade de diminuir e/ou evitar os problemas causados pelos atuais modelos de desenvolvimento econômico que afetam direta ou indiretamente a qualidade de vida das populações e o meio ambiente de maneira geral.
O crescente avanço da degradação da natureza causado pelo uso rápido e indiscriminado dos recursos naturais tem mostrado que nem todos se preocupam com o desenvolvimento sustentável e com a qualidade de vida das gerações futuras.
No entanto, ao longo da história humana, muitas são as reflexões que mostram preocupação e interesse em conservar a natureza, seja por respeito, ou ainda, como um alerta para nossa dependência dos recursos naturais. A exploração desenfreada dos recursos naturais interfere drasticamente nos ciclos biológicos e influenciam a vida e o comportamento humanos.
Guimarães (2004) enfatiza que a educação é um potencial propulsor de dinâmicas do sistema social e um importante meio de luta que põe em conflito as forças sociais que a sociedade deseja reproduzir, bem como as coloca em conflito com as forças sociais que pretendem transformar a sociedade, chamando a atenção para o fato de que a Educação Ambiental não deve ser considerada algo fora da dinâmica social, correndo o risco de, neste caso, provocar ações educativas não críticas da realidade, ainda que sejam bem intencionadas, o que, por sua vez, podem resultar em posturas politicamente conservadoras.
A reflexão crítica em Educação Ambiental tende a desvelar realidades socioambientais estruturadas por relações de poder constitutivas de relações entre indivíduos, sociedade e natureza, sendo que a compreensão da realidade social e ambiental proporciona clareza para que ocorram ações críticas de intervenção no processo social, considerando múltiplas determinações e gerando, desta maneira, uma ruptura com os moldes paradigmáticos (GUIMARÃES, 2004).
Entretanto, a proposta crítica em Educação Ambiental ainda é pouco conhecida e divulgada entre os profissionais que trabalham com educação ambiental. Isto ocorre porque a Educação Ambiental crítica ainda não possui uma prática visível consolidada como, por exemplo, acontece com a Educação Ambiental conservadora. Para que a Educação Ambiental crítica se consolide como prática efetivamente emancipatória e transformadora é necessário que os trabalhos na área e as reflexões sejam interdisciplinares e levem em conta os diferentes conhecimentos históricos, geográficos, biológicos, políticos e socioeconômicos, incentivando a formação do cidadão crítico e capacitando-o a fazer reflexões e interferir em seu mundo.
A formação de consciência ambientalista envolve a busca e aquisição de conhecimentos de aspectos locais da ecologia, da cultura e da sociedade por meio da práxis da Educação Ambiental. Desta forma é possível reformular comportamentos e recriar valores perdidos ou ainda não alcançados. A transformação de comportamentos pode possibilitar a conscientização de populações sobre a necessidade de uma relação mais harmoniosa por parte de todos com o meio ambiente, constituindo-se também numa exigência básica para o alcance do desenvolvimento sustentável.
Atribuir sentidos à biodiversidade por meio do diálogo, considerando os aspectos sociais e políticos na conservação e também, as múltiplas abordagens que o conceito trata é papel da Educação Ambiental, pois tais ações envolvem possibilidades educativas como, por exemplo, a sensibilização e o encantamento estético (CARVALHO, 2006). Além disto, a Educação Ambiental pode amalgamar o ser humano com a natureza e lhe conferir um espécie de “maravilhamento” diante da biodiversidade e do meio ambiente.
De acordo com a definição dada na Conferência Intergovernamental de Tbilisi realizada em 1977, a Educação Ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarificações de conceitos, e tem como objetivo o desenvolvimento das habilidades humanas, modificando as atitudes em relação ao meio e buscando entender e apreciar as inter-relações entre os seres humanos, suas distintas culturas e seus meios biofísicos (BRASIL, 2013). A Educação Ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de decisões e a ética que conduzem para a melhora da qualidade de vida (BRASIL, 2013).
A Educação Ambiental foi definida no Congresso de Belgrado, realizado em 1975 como um processo que busca formar população mundial consciente e empenhada em resolver os problemas que dizem respeito ao meio ambiente, estimulando a formação de população com conhecimentos, competências e motivações para participar no engajamento que permita trabalhar individualmente e coletivamente para solucionar tais problemas atuais e impedir que estes se repitam (SEARA FILHO, 1987).
A Carta de Belgrado (1975) e as Orientações de Tbilisi (1977) dispõem que há a necessidade de uma nova ética global capaz de promover atitudes e comportamentos para os indivíduos e sociedades de acordo com o lugar da humanidade na biosfera, e que reconheça e responda com sensibilidade às dinâmicas e complexas relações do Homem com a natureza e entre os distintos povos. As mudanças significativas necessitam ocorrer em todas as nações da Terra para assegurar um tipo de desenvolvimento racional orientado por esta nova ideia global (CARTA DE BELGRADO, 1975). A Carta de Belgrado é um dos mais lúcidos documentos da década de 1970, pois além de tratar sobre a satisfação das necessidades dos cidadãos do mundo, propõe que sejam resolvidas as causas básicas da pobreza, da fome, do analfabetismo, da poluição, da exploração e dominação, devendo ser tratados de maneira conjunta (DIAS, 2000).
Desta forma, cabe à Educação Ambiental fornecer os conhecimentos necessários na interpretação dos fenômenos complexos que configuram o meio ambiente, bem como fomentar valores éticos, econômicos e estéticos que constituem a base da autodisciplina, e também favoreçam o desenvolvimento de comportamentos que estejam de acordo com a preservação e a melhoria do meio (UNESCO, 1997).
De acordo com a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo em 1972, a melhoria e a defesa do meio ambiente para as gerações presentes e futuras são objetivo comum da humanidade. Porém, para que surtam efeito é necessário que se criem e adotem novas estratégias com fins a este objetivo. A Educação Ambiental necessita abarcar pessoas de todas as idades e níveis escolares tanto no âmbito do ensino formal, como no ensino não-formal.
Os meios de comunicação social possuem grande responsabilidade de disponibilizar recursos a serviço dessa missão educativa e os especialistas em educação ambiental e meio ambiente devem produzir ações e decisões que repercutam significativamente na natureza e no meio urbano. Compreendida devidamente, a Educação Ambiental deve compor o ensino geral, atuando nas mudanças que se produzem num mundo em constante e rápida evolução. Há também a necessidade de possibilitar ao cidadão a compreensão dos principais problemas contemporâneos em diversas escalas, adotando um enfoque global que tenha como fundamento uma ampla base interdisciplinar. A educação contribui para vincular os atos presentes com as consequências futuras e, além disto, para demonstrar solidariedade entre o gênero humano, mostrando interdependência entre as comunidades.
Na década de 1980, em especial em 1985, é criado pelo governo brasileiro o Parecer 819/85 do Ministério da Educação (MEC), em que são reforçadas as necessidades de inclusão de conteúdos ecológicos no processo de formação do ensino de 1º e 2º graus, integrados em todas as áreas do conhecimento de forma sistematizada e progressiva, com a finalidade de formar consciência ecológica do futuro cidadão.
Em 1988 a Constituição da República Federativa do Brasil dedica o capítulo VI ao Meio ambiente e o artigo 225, inciso VI, à Educação Ambiental, determinando ao Poder Público que se promova a Educação Ambiental em todos os níveis de ensino.
Na década de 1990, no ano de 1991, surge a Portaria 678/91 do MEC, determinando que a educação escolar deva contemplar a Educação Ambiental permeando todo o currículo dos diferentes níveis de ensino, enfatizando a necessidade de investir na capacitação de professores em tal área. Ainda neste ano, surge a Portaria 2421/91 do MEC, em que é instituída o caráter permanente de Grupos de Trabalhos de Educação Ambiental com o objetivo de definir junto às Secretarias Estaduais de Educação, as metas e estratégias para a implantação da Educação Ambiental no Brasil e elaborar propostas de atuação do MEC no ensino formal e não-formal para a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento que veio a acontecer no ano de 1992.
A Conferência da ONU sobre Meio ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio-92, promoveu um workshop com o objetivo de socializar os resultados de experiências nacionais e internacionais de Educação Ambiental, bem como discutir metodologias e currículos. Deste encontro surgiu a Carta Brasileira para a Educação Ambiental.
Em 1996 é criada a Lei nº. 9.276/96 que estabelece o Plano Plurianual do governo 1996/1999, definindo como principais objetivos do campo do meio ambiente, a promoção da Educação Ambiental por meio da divulgação e uso de conhecimentos sobre tecnologias de gesto sustentável dos recursos naturais, sendo que a coordenação de Educação Ambiental promoveu alguns cursos de capacitação de multiplicadores em Educação Ambiental.
Muitos foram os encontros e cursos de capacitação que surgiram nos anos seguintes, sendo que em 1999 foi promulgada a Lei nº. 9.795 de 27 de abril de 1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental com a criação de grupos de trabalho e câmara técnica temporária de Educação Ambiental no Conselho Nacional de Meio Ambiente.
No que se refere ao município de Americana, SP, área da presente pesquisa, é evidente a preocupação de incluir a Educação Ambiental como processo de desenvolvimento da cidadania, bem como nas escolas municipais mantidas pela Prefeitura nos ensinos fundamental e médio, conforme programas que devem ser elaborados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, por professores e agentes que promovem o turismo em áreas naturais.
São variados os paradigmas de pesquisa em Educação Ambiental e acredita-se que não seja possível ter um perfil ou uma “receita” pronta para o pesquisador que lide com este tema complexo e não homogêneo. De acordo com Sato e Santos (2003), as três principais vertentes e respectivas pesquisas em Educação Ambiental são: a Vertente Positivista; a Vertente Construtivista; e a Vertente Sócio-construtivista ou Vertente Crítica, detalhadas abaixo:

  • A Vertente Positivista é fortemente marcada por pesquisas empíricas baseadas na observação. Possui natureza ecológica e tem ênfase na informação, estabelecendo relações hierárquicas de poder com o professor, que se situa no centro e os alunos na periferia. Baseia-se no objetivismo em que conhecimento é derivado, cumulativo e progressivo. A interação não é estimulada e a pesquisa visa a possibilitar generalizações. Os comportamentos são quantificados, sendo que o foco nas metodologias são os maiores instrumentos para validação desta vertente. No entanto, essa concepção implica em certas condições operacionais da escola, em que o professor que não domine a crítica necessária nos métodos empíricos das análises estatísticas não consegue testar a validade dos resultados obtidos com os objetivos que foram propostos.
  • A Vertente Construtivista surgiu da crítica à vertente acima, mais especificamente da crítica aos paradigmas analíticos. Esta vertente é baseada na aceitação da realidade multifacetada ou na ontologia relativista. Ou seja, a realidade existe apenas no contexto do horizonte construído e é socialmente construída com múltiplos significados. O método da Vertente Construtivista revela apenas o que está implícito a priori; a construção individual é desenhada por meio da interpretação, sendo que somente após as comparações é possibilitado o conhecimento. Cabe destacar que nesta vertente não há clara intenção de transformar a leitura do mundo. Assim sendo, Robottom & Hart (1993 apud SATO; SANTOS, 2003) esclarece que limitando a construção do conhecimento e considerando apenas o contexto e a realidade individuais, esta vertente apresenta-se como somente um fim justificável para as questões educacionais, em vez de ser um processo de transformação da realidade.
  • A terceira vertente trata da Teoria Crítica, nosso foco na presente pesquisa, que, por sua vez, é descrita como uma pesquisa ideologicamente orientada. Esta vertente busca desenvolver posturas analíticas com argumentos, procedimentos e linguagem com uma lente relacionada com as questões de poder. Se por um lado a vertente positivista tem um interesse apenas técnico-instrumental e os construtivistas um interesse prático-comunicativo, os que defendem a Teoria Crítica defendem a ação-constitutiva de emancipação. O conhecimento é generativo, emergente, dialético; e as pesquisas buscam a transformação das realidades como sujeitos no processo histórico de realidades multifacetadas (SATO; SANTOS, 2003).

O propósito da pesquisa da Teoria Crítica é a emancipação dos atores sociais por meio das críticas das desigualdades (práxis para a transformação); a natureza da realidade é múltipla, construída, divergente e comprometida com questões ligadas com a igualdade; a natureza do conhecimento (epistemologia) é marcada por fatos compreendidos num contexto econômico e social, com ênfase nas posturas críticas e na práxis ideológicas; e a relação entre o pesquisador e a descoberta está inter-relacionada e comprometida com a emancipação das sociedades e/ou dos grupos sociais.
A Educação Ambiental Crítica, que se baseia na Teoria Crítica supracitada, deve, assim, incentivar a formação do cidadão crítico e capacitá-lo a fazer reflexões sobre seu mundo e a interferir no mesmo. De acordo com Loureiro (2004) e Guimarães (2004), a tendência crítica em Educação Ambiental caracteriza-se como transformadora e emancipatória e possui atitude reflexiva frente aos desafios que a crise civilizatória atual nos põe, e parte do princípio de que a maneira como vivemos não atende aos anseios de todos, necessitando que sejam criados novos caminhos.
Este campo da Educação Ambiental pauta-se no entendimento amplo da participação social e da cidadania como prática imprescindível para o exercício da democracia. Assim, a democracia é condição para a construção da sustentabilidade, item indispensável da Educação Ambiental Crítica. O desafio da Educação Ambiental Crítica é, portanto, reestruturar as orientações e os métodos que até então tem sido usados pela Educação Ambiental.
Para isto, é necessário considerar os pontos de vista de grupos envolvidos, seja em escolas ou nos órgãos públicos ambientais, no intuito de entender quais as representações sociais que norteiam, os objetivos e as ações dos grupos diante das distintas realidades socioambientais e dos problemas observados, indicando possíveis soluções.
Ao ser iniciada uma proposta de Educação Ambiental Crítica é necessário levantar e entender diferentes percepções acerca dos problemas e do meio ambiente, e considerar as representações sociais do grupo ou da sociedade, levando em conta todas as visões e opiniões, ainda que pareçam equivocadas ou divergentes. Além disto, tal proposta deve considerar as questões dos processos sociais, a história, o contexto geográfico, econômico, político, as classes sociais e as diferentes culturas (RUSCHEINSKY, 2012). Somente assim serão estabelecidos os subsídios para que os atores envolvidos se situem como cidadãos integrantes do grupo social. Imprescindível se faz também que a pesquisa em Educação Ambiental Crítica e a equipe que lide com o tema sejam interdisciplinares, ou seja, compostas por membros de diferentes áreas do saber.
A ação coletiva, incluindo os atores sociais e as instituições envolvidas, deve estimular que a educação ambiental seja realizada tanto nas escolas como em outros espaços, sejam eles formais ou informais. Além disto, a Educação Ambiental Crítica estimula incluir também os excluídos dos processos de tomadas de decisão e indicar a realização de mudanças a favor dos membros e da natureza.
A Educação Ambiental Crítica deve explicitar valores e interesses ocultos de grupos e pessoas que estes adotem posições em relação aos temas. O Tratado de Educação Ambiental, resultado da Jornada Internacional de Educação Ambiental realizada na mesma época da Rio 92, estabelece dezesseis princípios que ficaram conhecidos como “Princípios da Educação Para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global”, enfatiza que a Educação Ambiental deve ajudar no desenvolvimento de consciência ética sobre todas as formas de vida que existem na Terra, devendo também ser respeitados os ciclos de vida e os limites da natureza e da vida (RIO DE JANEIRO, 1992).
De acordo com Sauvé (1999), a teoria crítica se consolidou nas décadas de 1980 e 1990 sob a luz do pensamento pós-moderno, passando a enfatizar o envolvimento comunitário e as ações locais, o diálogo entre os diferentes saberes, os aspectos sociais e culturais, bem como a possibilidade de transformação da realidade. A Educação Ambiental Crítica, ao incentivar a participação das pessoas nas discussões, pode envolver temas como ciência, tecnologia, conservação da biodiversidade, sociedade e, mais que isto, pode levar o cidadão a se posicionar de maneira crítica nas relações de produção e consumo, levando-o a reivindicar serviços de saúde dignos, moradias adequadas, saneamento básico, despoluição dos rios, e fazer com que alguns produtos que não sejam social e ambientalmente responsáveis sejam inclusive boicotados. Ou ainda, que o cidadão fotografe e crie documentos capazes de denunciar situações irregulares. Por meio da vertente crítica em Educação Ambiental vislumbra-se uma maneira eficaz de incentivar a formação do cidadão, capacitando-o a refletir sobre seu mundo e a modificá-lo.
Segundo Freire (1996), a prática docente crítica envolve movimento dinâmico e dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer. A práxis é a reflexão-ação e ocorre simultaneamente. A ação de educar é política, ou seja, a Educação Ambiental não deve se abster de posicionar-se diante das questões e dos problemas sociais e ambientais; estas por sua vez, tem raiz no sistema capitalista (FREIRE, 1996).
Loureiro (2004) propõe que a Educação Ambiental Crítica possibilite realizar questionamentos às abordagens comportamentalistas, dualistas e reducionistas no entendimento da relação cultura-natureza, enfatizando que esta vertente da Educação Ambiental é um meio para que seja modificada a crise socioambiental. A educação emancipatória exige que os conhecimentos sejam construídos de forma coletiva e cooperativa, dialógicos, contínua e dinâmica rumo à construção das sociedades mais sustentáveis.
Para Freire (1996), educar é um ato de conhecimento da realidade concreta e que refletir, compreender, criticar e atuar constituem ações pedagógicas desejáveis. Quando a aprendizagem acontece de maneira dialógica e participativa possibilita mudanças significativas nas relações sociais capazes de influenciar fortemente na conservação e preservação do meio ambiente, da natureza ou do local onde são realizadas atividades humanas, como por exemplo, o ecoturismo, os órgãos que compõem os Sistemas Municipais de Meio Ambiente e as salas de aula. A educação que coloca como foco o lugar, independentemente da escala, é capaz de propiciar experiência significativa e promover a consciência ecológica.

DESCRIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

O Parque Natural Municipal da Gruta está localizado em Americana, estado de São Paulo. Também conhecido como “Gruta Dainese” ou “Gruta de São Roque”, constitui-se numa unidade de conservação de responsabilidade municipal, representando atualmente, entretanto, um evidente exemplo da ausência de gerenciamento e mau uso por parte da população local.
Em 2005, por meio do Decreto Legislativo n.º 275, foi instituída uma comissão especial de estudos com vistas à preservação do Parque. Dentro de suas atribuições, a comissão elaborou o Projeto de Lei nº 059/2005 que previa a constituição de uma comissão consultiva pelo Poder Executivo para elaboração de um Plano Diretor para recuperação da Gruta Dainese.
Tal projeto de lei foi aprovado pela Câmara, sancionado e promulgado pelo prefeito à época e transformado na Lei 4.195/2005. O Plano Diretor considera a complexidade técnica, financeira e administrativa para o gerenciamento da área do Parque e propõe a adoção de medidas estruturais e não estruturais objetivando a recuperação da vegetação e fauna características do bioma Mata Atlântica, a realização de estudos e pesquisas e o desenvolvimento de Educação Ambiental e Ecoturismo com vistas ao lazer e interpretação ecológica.
Diante das medidas apontadas pela comissão, em 2006 a área é reconhecida como uma unidade de conservação pelo Decreto 6.980, posteriormente alterado pelo Decreto 7.003. Assim, é nomeado como “Parque Natural Municipal da Gruta”. De acordo com Gotardi (2009), a área do Parque é de 490.925 m². O Plano Diretor do Parque Natural Municipal da Gruta é dividido em duas partes: a do Parque propriamente dito e a da área de lazer do entorno onde está envolvido seu ecossistema.
É uma unidade de conservação de proteção integral com beleza cênica peculiar, dada sua topografia formada por diversas fendas, estratificação de arenitos e uma pequena gruta. Maior parque urbano de Americana, possui também setes quedas d’água, nascentes e remanescentes de mata atlântica e de cerrado. No entanto, mesmo diante de sua relevância para preservação ambiental e histórica percebe-se que as políticas públicas existentes não têm se efetivado na prática (ORTOLANO; SILVA NETTO, 2016).
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), criado pela Lei 9.985/2000, prevê no artigo 2º, inciso I, que as unidades de conservação devem ter seus objetivos de conservação e limites definidos sob regime especial de administração, com garantias adequadas de proteção.
Balan (2015) aponta a relevância histórica do Parque Natural Municipal da Gruta como atrativo turístico e espaço de lazer, bem como espaço para recarga do manancial hídrico, auxiliando no controle de enchentes e qualidade do ar na região. Aponta que não existe gerenciamento por parte do Poder Público e são observados o despejo de esgotos sem tratamento, ocupações irregulares, descuido e depredação por parte dos moradores do entorno (BALAN, 2015).
Os atuais usos do Parque retratam uma relação conflituosa entre sociedade e meio ambiente. Com efeito, observa-se um descaso com relação à área da gruta e, assim, um problema de saúde pública, haja vista a reprodução de escorpiões venenosos, Aedes aegypti e roedores, assim como a proximidade da população aos locais sem saneamento básico. Nesse sentido, há um desafio emergente para Americana que apresenta grave indicador de saneamento básico. Atualmente, a cidade faz o tratamento de apenas 42% do seu esgoto (JORNAL O LIBERAL, 2016).
O desenvolvimento local inclui a gestão dos recursos naturais e a adequada administração das produções humanas, compreendendo uma relação simbiótica entre a conjuntura social e o meio ambiente e suas transformações.
Diante do exposto, cabe mencionar que entre as propostas sugeridas pelo Grupo de Trabalho de Meio Ambiente durante o Fórum de Turismo e Desenvolvimento Local, ocorrido em novembro de 2015 na Câmara dos Vereadores de Americana, destacam-se a realização de Educação Ambiental em áreas degradadas.

METODOLOGIA

Na presente pesquisa adota-se o estudo de caso histórico-organizacional e observacional como metodologia. O estudo de caso é recomendado para pesquisas intensivas do passado, do presente e das interações ambientais socioeconômicas, geográficas, políticas e culturais de determinada unidade, indivíduo, grupo, instituição ou comunidade escolhida por sua especificidade (GRESSLER, 2003).
É caracterizada como uma pesquisa profunda que engloba a totalidade dos ciclos de vida do objeto estudado e constitui-se, desta maneira, num estudo interdisciplinar com visão holística. Ou seja, nesta forma de investigação o caso não é fragmentado ou isolado em partes, pois todos os elementos estão inter-relacionados (GRESSLER, 2003).
Baseia-se numa variedade de fontes de informação e procura incorporar os diferentes pontos de vista presentes na situação. De acordo com Kohn (1997), o estudo de caso como metodologia de pesquisa qualitativa surgiu da necessidade de se conseguir modalidades mais adequadas para investigações nas ciências sociais e humanas.
Para Stake (2000 apud GRESSLER, 2003), os estudos de caso não são novos nem essencialmente qualitativos. Antes de se constituir numa escolha metodológica é uma escolha do que deve ser pesquisado. O estudo de caso pode ser qualitativo ou quantitativo, ou ainda, pode ser a combinação de ambos.
Independentemente do que se pretende adotar como paradigma, o estudo de caso pode ser visto como uma importante tentativa de manter unidas num sistema integrado as características importantes para a questão que vem sendo estudada (GRESSLER, 2003).
Frequentemente o estudo de caso é utilizado em pesquisas sobre novas áreas e assuntos sobre os quais ainda não existe teoria disponível, bem como para descrever processos ou efeitos de um determinado evento ou de uma intervenção para explicar um fenômeno complexo. Pode ainda ser utilizado para testar hipóteses que exijam novos instrumentos de pesquisa.
No que se refere ao objeto da pesquisa, o estudo descritivo se ocupa de grande número de elementos e estuda um número reduzido de variáveis, enquanto o estudo de caso restringe o número de elementos em investigação e se aprofunda no número de variáveis. A vantagem do estudo de caso como recurso metodológico é a elevação da validade interna, dado o grande número de variáveis e a profundidade de suas análises (GRESSLER, 2003).
Devido à restrição da amostra, o estudo de caso se torna um estudo limitado quanto à representatividade e consequentemente quanto à extrapolação dos resultados. Apresenta grande dependência da capacidade, sensibilidade e preparo do pesquisador e se destaca por sua flexibilidade e possibilidade de novas descobertas durante a pesquisa.
De acordo com Bodgan (apud TRIVIÑOS, 1987), há diversos tipos de estudos de caso, a saber:


  • Estudo de caso histórico-organizacional – Onde o interesse na pesquisa se volta, por exemplo, para a trajetória de uma instituição, clube, empresa etc. O investigador pode utilizar como fontes de pesquisa os materiais disponíveis como: atas de reuniões, publicações, livro de registro de funcionários dentre outros.
  • Estudo de caso observacional - Os dados são coletados basicamente por meio de observações participantes. Tem como foco de estudo a unidade dentro da organização. Por exemplo: uma reunião do Comitê de Bacia Hidrográfica, uma aula de metodologia científica, um encontro com representantes do Poder Público, da sociedade civil organizada etc.
  • Estudo de caso denominado história de vida – Este tipo de estudo é utilizado para estudar pessoas com peculiaridades positivas ou negativas, como por exemplo, deficiência mental, genialidade, habilidades artísticas, dentre outros. Nesta modalidade toma-se como base, geralmente, o uso de entrevistas abertas e/ou semi-estruturadas, em que as questões são aprofundadas durante o processo de entrevista.
  • Estudo de caso – análise situacional – Nesta modalidade o estudo é focado em eventos específicos como, por exemplo, uma passeata pública em defesa da paz, protestos por aumentos de salários etc. Neste tipo de pesquisa o pesquisador busca conhecer as circunstâncias e os pontos de vista dos envolvidos.

São utilizados os seguintes procedimentos para o estudo de caso, de acordo com recomendações de Gil (1996) e Gressler (2003):


  • Identificação de pontos críticos;
  • Delimitação do estudo: caracterização do objeto estudado, levantamento de relações externas e internas, políticas e demais atividades ligadas à temática do projeto;
  • Estabelecimento do objetivo e/ou caracterização do problema;
  • Verificação dos dados disponíveis, definição dos processos e instrumentos que serão usados na coleta de dados;
  • Coleta de dados, levantamento dos indicadores ligados à prática de Educação Ambiental em relatórios e demais documentos existentes nos municípios, como as atas das reuniões do Conselho Municipal de Meio Ambiente;
  • Organização das informações, analisando-as conjuntamente com especialistas, para a formação coerente e integrada da unidade em estudo;
  • Relato dos resultados e discussão conjunta de sua significância com grupos de trabalho.

Os procedimentos e instrumentos a serem usados na pesquisa englobam o levantamento bibliográfico em livros, periódicos, teses e dissertações; reuniões e entrevistas sobre as práticas sociais e ambientais ligadas à Educação Ambiental emancipatória com coordenadores pedagógicos do município; levantamento documental (políticas, planos e programas); reuniões com gestores e agentes ambientais, reuniões com Organizações Não Governamentais, englobando também possíveis turistas e abordando o cerrado, a mata atlântica, os recursos hídricos e o turismo na natureza, haja vista que o município de Americana possui importantes unidades de conservação que necessitam de melhor gerenciamento. Envolvem o contato com os membros do COMDEMA (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente) de Americana e com diretores e professores das escolas dos ensinos fundamental e médio, bem como a sistematização das informações em banco de dados.
Será solicitada permissão para gravar as entrevistas e estas serão transcritas, comparadas com o marco teórico e conceitual levantado na pesquisa, bem como com a legislação que trata da Educação Ambiental e conservação da natureza em outras esferas públicas (nacional e estadual), analisadas de acordo com as seguintes categorias de análise:


  • Participação da sociedade nos processos decisórios;
  • Uso de instrumentos, indicadores ambientais e de sustentabilidade na gestão ambiental do município;
  • Interação do órgão ambiental com outros órgãos do município e com órgãos ambientais do Estado e da União;
  • Compatibilidade entre a teoria e leis existentes e a prática.

Os indicadores levantados serão analisados, sistematizados e apresentados em eventos científicos locais, regionais, nacionais e internacionais, cujos objetivos sejam estimular a discussão e a formação de opinião sobre a práxis da Educação Ambiental, sobre o tema desenvolvimento sustentável, bem como o papel do Município e sua relação no que se refere à responsabilidade pelas questões socioambientais.

VIABILIDADE DE EXECUÇÃO

Para a execução desta pesquisa são necessários o acesso às bibliotecas públicas, bem como aos bancos de dados e periódicos sobre o tema disponibilizados via Internet pelo governo municipal, estadual e federal.
Vem sendo realizadas diversas visitas técnicas ao Parque Natural Municipal da Gruta e demais Unidades de Conservação de Americana para a realização de inventário fotográfico.

EQUIPE DE PESQUISADORES

Fábio Ortolano.
Joviniano Netto.

REFERÊNCIAS

BALAN, D. S. L. O Parque Natural Municipal da Gruta, Americana, SP – Percepção ambiental e sua interferência na gestão de áreas de proteção. VI Congresso Brasileiro de Gestão Ambiental. IBEAS – Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais: Porto Alegre/RS, 2015. Disponível em: http://www.ibeas.org.br/congresso/Trabalhos2015/VI-048.pdf . Acesso em 03/07/2016.

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Foto-mosaico: Joviniano Pereira da Silva Netto (2016)