quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Oswaldo Goeldi

(Rio de Janeiro, RJ, 31 de outubro de 1895 - Rio de Janeiro, RJ, 16 de fevereiro de 1961)

Desenhista, pintor, gravador, professor. Filho do naturalista suíço Emílio Augusto Goeldi, Oswaldo morou em Belém quando criança, enquanto seu pai organizava o Museu do Pará. Em 1915 cursou a Escola Poitécnica de Zurique e nos anos seguintes passou a estudar na École des Arts et Métiers, aperfeiçoando-se no desenho. Frequentou o ateliê de Serge Plahnke e Henri van Muyaen, ralizando sua primeira exposição em Berna na galeria Wyss em 1917.

De volta ao Brasil em 1919, expôs no Liceu de Artes e Ofícios em 1921 e em 1930 expôs em Berna, Zurique e Berlim ao lado de Matisse, Utrillo e Leo Long. A partir de 1931 passou a dedicar-se exclusivamente à gravura, ilustrando diversos livros e catálogos. Foi professor de gravura na antiga Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro até 1961, ano de seu falecimento.

Oswaldo Goeldi dizia que "é só saber ler um desenho para tudo ver e compreender". Sobre alguns de seus trabalhos, de acordo com Quirino Campofiorito, amigo de Goeldi e crítico de arte, "suas texturas de carvão ou de lápis, dotadas por vezes de uma suave aguada, são de  uma riqueza plástica em que a surpresa vai delineando personagens e acessórios numa composição de confortante naturalidade, isto é, sem arranjos ou afetações previamente condicionados. Para a revista 'Clima' destina a série xilogravada que denominou 'Balada da noite' (1944). Nessa sequência é a fantasia macabra do artista que sabe estimular em sua intimidade vivências multiformes, trágicas ou poéticas, mas esplendidamente transpostas para a concepção plástica. A tarefa do ilustrador se amplia e universaliza a partir do convite feito por seu amigo e admirador José Olympio para ilustrar os livros de sua editora. Em toda a longa e densa carreira de Goeldi, a pintura nunca constituiu sedução capaz de demover o gráfico de sua linguagem original. Ao desenho, mas sempre com moderação, acrescenta por vezes alguma cor, em aguada palidamente registrada. Jamais se empolga pela cor como efeito total, predominando sobre a expressão do preto. Igual disciplina destina à xilogravura, embora nesta ouse empregar carajosos gritos de cor em contraste com o silêncio da estrutura negra ou castanho escuro. A cor se apresenta, então, como uma presença simbólica no contexto noturno da gravura. Será sempre o negro, ou seja, o escuro decidido, envolvente, que lhe assegura o trágico curso do sentimento." (Revista do Brasil, p. 38, ano 1 - nº. 1 / 1984).

 Céu escuro, s.d. Foto: autoria desconhecida.