sexta-feira, 15 de junho de 2018

A liberdade como força criativa na fotografia

Entenda estas fotografias abaixo como um elogio à Instituição de Ensino (que não citarei qual é) e ao aluno que a fez. Eu sou fotógrafo. "Crítico de arte" é Ed Ribeiro quem diz que eu sou nas publicações dele (e não é só ele quem diz), mas leia o blog e tire suas próprias conclusões. Não me convide(m) nunca mais para ir a qualquer lugar se for para não tirar fotos ou se for para me recriminar por causa de minha câmera fotográfica. Eu sou livre e fotografo o que eu quiser. Se fotografo gente, deixo a gente viver enquanto a fotografo. Já fotografei Jair Rodrigues, Altamiro Carrilho, Jussara Silveira, apenas para citar exemplos. Não vou escrever crítica sobre o trabalho que encontrei jogado no lixo, nem sobre o(a) artista, mas fica dado o recado aqui se alguém desta cidade ler. As fotografias da obra que publiquei no Instagram.com/jovinianonetto eu deletei a pedidos da presidenta do instituto, não por ela ser presidenta, mas por ser minha amiga e por ter sido minha professora na primeira infância. E só por isto. Elas não representam a qualidade do ensino da instituição. Saiba(m) também que eu não preciso - nunca precisei - de notas graciosas, nem de trabalhos de nenhum tipo em instituições privadas. Às vezes eu pago para trabalhar com o meu suor. Não leve(m) para o lado pessoal, pois se for assim eu vou jogar na cara o que a família já fez comigo. Não represento, com meu currículo de 300 páginas, nenhuma ameaça a diretores ou professores, nem aqui nem em lugar nenhum do mundo, pois há coisas que eu não quero fazer. Só trabalho quando eu quero. Fizeram isso (jogaram no lixo, mas antes destruíram) com um trabalho de arte meu em Tanhaçu há um ano. Rasgaram meu desenho e jogaram no lixo. Eu me senti um lixo, um rejeito, nas palavras de meu professor da Escola de Engenharia de São Carlos, com aquele São Jorge lindo jogado fora, e que tinha meu sangue, minha criatividade. A minha arte, tanto a que coleciono como as que eu produzo, é para poucos que podem pagar por ela. Já pintei na rua, no museu, em outros instituições importantes de artes. Pesquise e faça disso uma boa fofoca se quiser! 

Vista parcial da paisagem de Tanhaçu às 7 horas (Estado da Bahia)

Do lixo ao  luxo, né? Desejo boa sorte ao artista e à Coca-Cola.

Paisagem de Tanhaçu às 7 horas (Estado da Bahia)

Artista desconhecido, sem assinatura, sem data. Sem comentários críticos de Joviniano Netto.
Fotos: Joviniano Netto

Quanto às fotos publicadas neste texto, me desculpe(m), mas elas são minhas. Eu não violei nenhuma porta para tirá-las. E não sou vaca para seguir trilhas. Publico e espero que o mundo goste, haja vista que a maior parte dos acessos deste blog é feita no Leste Europeu e na Rússia. Sinta-se um privilegiado se um aluno seu está contribuindo aqui com algum trabalho. Ou peça ao Google numa solicitação formal que me obrigue a tirar. Não violo as normas de condutas e de privacidade dos contratos que leio, inclusive nas redes sociais. Espero que gostem das minhas imagens autorais. A minha religião é a liberdade!

O que a lagarta chama de morte, o Mestre chama de bortoleta

Muita gente sabe de minha luta e dos meus dramas para conseguir concluir o doutorado em Geografia, inclusive o drama financeiro. Estar e morar na cidade de São Paulo não é nada fácil. Ir para Paraty fazer trabalho de campo então, é quase uma luta imperial. Um sonho bárbaro!
São quase seis horas da manhã aqui, encontro-me no meio de antiguidades e de algumas obras de arte que consegui trazer para o Estado da Bahia há um ano. 
Minha mãe, noutro quarto, provavelmente dormindo depois de trabalhar o dia inteiro, estaria dormindo ou com dores fortes no corpo? Ela vive reclamando e eu morro de vontade de bater lá na porta do quarto dela para verificar, mas tenho receio de acordá-la (caso esteja a dormir) ou incomodá-la.
graças a Deus que ela se encontra num bom apartamento (parece até uma pousada), empréstimo que meu tio Lô fez pelo tempo em que ela for viva (a história se repete desde o tempo de minha bisavó - casa emprestada, favores, e os futuros herdeiros que se danem, mas que já deveria ser dela com escritura e tudo. Enfim, não sei nem quero saber de quem é, já que documentos oficiais mesmo só os que tenho contato direto na Universidade e as obras de arte que tenho acesso). Mas sei do desgosto de minha avó por causa daquelas malditas terras e daquele maldito dinheiro. Isso eu sei porque fui criado por ela e ela chorava quando me contava. Tanto é que na fotografia-lembrança que distribuímos em sua missa de sétimo dia ela estava chorando. "O que a lagarta chama de morte, o Mestre chama de borboleta". 
O fato é que a vista deste apartamento é linda e acho que minha mãe gosta de morar aqui, apesar do barulho que uma loja no térreo e os carros e motos de som na cidade fazem diariamente. Eu acho um absurdo e um desrespeito às pessoas sons tão altos diariamente. De toda forma, não pretendo vender autoria de artigos e projetos, como fiz para comprar um iPhone novo. Me arrependi amargamente daquele encontro com aquele cara que dizia ser meu amigo, mas fui bastante honesto dizendo a ele que apenas o estava fazendo porque não via outro jeito. Plágio é crime! Espero não reencontrá-lo mais.
As pessoas vivas são o maior dos patrimônios que eu possa estudar. Seja no campo, seja na cidade. Neste caso, já sem usar as duas de minhas principais contas no Facebook (as que eu tinha contatos reais e cujos conteúdos compartilhados eram de alta qualidade), cadastrei esta e outras redes sociais, e meu blog autoral, nos aplicativos diversos, vislumbrando ainda encontrar homens que possam me ajudar (e que eu também possa ajudá-los na medida do possível).
Não gosto muito de trabalhar com mulheres porque normalmente as mulheres são bastante temperamentais. Minha experiência com elas não foi das melhores. E de temperamental basta eu. Ainda há pessoas aqui em Tanhaçu que acham que eu sou do campo jurídico. Vieram me perguntar na rua (um apessoa que eu nunca vi na vida). Não, eu não sou. Infelizmente não terminei a primeira graduação em Direito por falta de dinheiro para pagar a faculdade e para me manter em São José do Rio Preto. Eu amava o Direito. Não terminei o primeiro doutorado na USP porque fui obrigado a largar, também envolvendo dívidas e falta de dinheiro (meus amigos e ex-colegas sabem que eu tenho competência para falar sobre o tema que eu escrevi nos projetos).
Já estou morrendo de saudades de minha mãe e sofrendo por ter que deixá-la mais uma vez sozinha (minha madrinha me disse que ela cuida de todo mundo aqui, mas quando ela precisa de ajuda e de cuidados, ninguém a ajuda). Ela que aproveite meus dotes de massagista enquanto eu estiver aqui. É uma pena, pois o que ela tem de mais valioso é a presença dela. Se saudades matassem eu já estaria morto há muitos anos, pois eu não queria sair do Estado onde nasci. Eu não queria ampliar a escala e ter que ir para o fim do mundo em busca de um diploma. Hoje tenho vários, e centenas de certificados.
Logo mais terei retorno ao psiquiatra; e na próxima semana terei retorno com outro psiquiatra (e amigo) numa cidade maior. Eu gosto dos psiquiatras e médicos (de todas as especialidades) honestos que olham nos meus olhos enquanto falam comigo.
Farei de tudo para poder estar novamente na Cidade Universitária e para retornar às minhas atividades acadêmicas o mais brevemente possível. Nada para mim nem por mim!
Sem mais delongas, não querendo torrar a paciência dos meus seguidores com sessões de análise ou algo parecido, deixo a sugestão para vocês acreditarem nos seus sonhos, nos seus projetos e nos seus objetivos de vida. Abracem de verdade! Sonhar não custa nada, mas um projeto pode lhes custar a vida. E eu já estou na estrada há muito tempo para ter que desistir agora por causa de vontades dos outros ou falta de financiamento de órgãos de fomento. Universidade não é instituição de caridade. Se tenho que estar na USP é porque para fazer pesquisa preciso estar lá. Eu moro na USP.
Um abraço muito afetuoso de um geógrafo ainda muito esperançoso, romântico, que teve (e ainda tem) contato com os maiores humanistas deste Brasil.

Foto: "A borboleta". Joviniano Netto.

Quero lhes contar o que eu vivi e tudo o que aconteceu comigo

Estou com o coração partido, dilacerado pelos que me amam e gostam de mim, mas me sinto muito forte ainda para poder, como intelectual e humanista que sempre busquei ser, publicar este depoimento de cunho pessoal, e que envolve milhões de pessoas em todo o mundo, inclusive no Brasil, pelo tema a ser abordado.
Saber é muito pouco se nada puder ser feito. Então, vou lhes contar o que aconteceu comigo num dos episódios mais marcantes de minha vida:
Quando me internaram à força num hospital psiquiátrico, há alguns anos, e me amarraram numa maca sem que eu estivesse agressivo, me furaram lá dentro com uma agulha fina de insulina e, no dia seguinte, um grupo de pessoas que poderia certamente ser chamado de detentos, haja vista que o esquema que funcionava dentro daquele hospício era o de penitenciária, olharam para mim e me chamaram de “bonitão carimbado”.
Eu não entendi na hora do que se tratava e por muitos meses, depois que eu saí de lá, passei a pesquisar os movimentos criminosos que existem, voluntários e involuntários, onde as pessoas se contaminam com o vírus da Aids e com outras doenças. Não tenho como provar o que aconteceu comigo lá dentro, pois fiquei duas semanas, por duas vezes, internado naquele lugar, contra a minha vontade, frequentando ambientes sujos onde havia muitos criminosos que, para se livrarem da pena judicial, enlouqueciam e iam para lá. 
Nas duas vezes que me levaram à força para o hospital psiquiátrico, fui diagnosticado com esquizofrenia sem que o procedimento formal e os protocolos fossem seguidos para a obtenção de tal diagnóstico. Eu estudei a Psiquiatria Clínica em livros especializados para saber do que se trata. Ninguém ali sabe como eu me comporto no dia-a-dia, pois ninguém me conhecia, inclusive a minha família, que há muitos anos não a encontrava devido à necessidade que tive de ir pra outros Estados para estudar. Eu não tenho delírios, não escuto vozes, não tenho manias de perseguição, nem surtos psicóticos e os poucos distúrbios afetivos que eu tenho, ainda, é devido às experiências traumáticas que tive na infância e adolescência, envolvendo violência física e simbólica, e que espero nunca esquecer. Eu não sou Jesus Cristo e se precisar gritar ou ser mal-educado diante de alguma ação contra mim ou outrem, eu grito. Perdoei todas as agressões físicas e verbais que sofri na vida, mas não quero esquecer nunca.
O fato é que, noutro exame específico de sangue, descobri que sou soropositivo. Pois é, agora vocês já sabem da informação vinda diretamente de mim. Antes de ser internado eu não era, pois já havia feito exame de sangue antes e o resultado foi negativo.
Não sou criminoso. As pessoas mais próximas sabiam do resultado do meu exame, pois precisei falar devido à necessidade de viagens que eu tinha que fazer por conta do tratamento iniciado. Primeiramente eu falei com a minha irmã, que era enfermeira, e a resposta que ela me deu foi a seguinte: “Que bom! Tem coisas que só se pegam uma vez na vida, né?”. Acho que ela se lembra disto. E ela tem razão. Foi prática, que bom! É assim que eu gosto. Sejamos práticos!
Desde então, muita gente diz que me ama, que me adora, mas não olha na minha cara enquanto eu falo, não bebe no mesmo copo que eu, não come da comida que eu faço. Aliás, que fique claro, não faço questão de conviver com ninguém neste mundo de hipocrisia. Absolutamente ninguém. Pessoas assim apodrecem antes de morrer. E eu tenho nojo.
Muita gente que sabe do resultado do meu diagnóstico agora, também porque as poucas de confiança que sabiam contaram sem minha anuência, inclusive um ex-namorado que saiu distribuindo a notícia em São Paulo e pela Internet, acha que eu sou promíscuo e que isso pode ter sido um castigo de Deus pela promiscuidade; por eu ser também homossexual. Se querem saber, eu não sou e nunca fui promíscuo. Sei de todas as pessoas com quem me relacionei afetivo e sexualmente. E quer saber mais? Toda morta é súbita.
Eu tomo, há três anos, a medicação 3 em 1 fornecida gratuitamente pelo Governo, fabricada pela Mylan num laboratório indiano e desde os primeiros meses do meu tratamento, a carga viral nos exames clínicos tem sido indetectável. Em outras palavras, não contamino ninguém nem mesmo se não usar preservativos. Leia algum artigo científico a respeito para sua informação. Mas recomendo que vocês usem e se previnem, inclusive dentro de casa, com todas as formas possíveis. Saber nunca é demais; fazer algo é melhor ainda, não é verdade?!
Ocorre que a ignorância humana não tem limites e ninguém é obrigado a conviver com pessoas preconceituosas e estúpidas, ainda que por cinco minutos. Intolerância é a pior forma de falta de caráter. Aqui ou na Índia, ou em qualquer lugar.
Passo, deste dia em diante, a militar pelos direitos de quem vive e convive com Hiv/Aids, recomendando a todos que busquem a informação e façam o teste para verificar a existência do vírus da imunodeficiência humana no seu organismo. Os exames realizados nos postos públicos de saúde são gratuitos e o tratamento idem. Não é bacana adoecer ou morrer por falta de informação. Ignorância não salva ninguém.
Desde os episódios que aconteceram comigo no hospício, que resultaram também numa segunda questão, passei a frequentar consultórios psiquiátricos, públicos e privados. E sabem de uma coisa? Alguns psiquiatras são também humanistas, sabem escutar, olham nos olhos e ajudam de fato. Os daqui da Bahia foram os melhores que me atenderam; os únicos que olharam para mim e me escutaram. Quem sabe da gente é a gente mesmo e os que convivem de perto.
Não abro mão de continuar o meu tratamento na cidade de São Paulo com a infectologista de minha confiança, que me auxilia desde o início do tratamento, e a equipe excelente do Serviço de Assistência Especializada em dst/aids Butantã. Não abro mão de frequentar os meios e grupos de amigos e universitários da Universidade de São Paulo, onde outras pessoas passam pelo que eu estou passando, não apenas no que se referem aos dramas íntimos, mas também no que se referem às linhas de pesquisa no meu doutorado em Geografia Humana, no campo das Artes, da Cultura, dos Direitos Humanos e da Ciência de maneira geral.
É isto, gente. Sinto muito se não lhes agrado dizendo sobre os meus dramas pessoais. Publicando isto aqui, talvez vocês se sensibilizem e se conscientizem para a própria realidade. Tudo já foi devidamente tratado em sessões de análise.
Sinto muito mesmo se não fico o tempo inteiro dizendo-lhes "amém", mas este espaço aqui é meu, a vida é minha e estando agora livre da camisa-de-força (pois é, fizeram isto comigo lá dentro do hospício também), quero poder contribuir de alguma forma para um mundo melhor. Sou um ativista da minha própria felicidade. Seja um também.
Um forte abraço.
Tanhaçu, Bahia. Outono de 2018.
Paisagem rural de Tanhaçu (Bahia). Foto: Joviniano Netto.

domingo, 3 de junho de 2018

Dia Nacional da Educação Ambiental

Celebra-se hoje, 3 de junho, o Dia Nacional da Educação Ambiental. A data foi instituída por meio da Lei 12.633, de 14 de maio de 2012. A proposta tem como referência a abertura da Rio-92 (Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, ocorrida no Rio de Janeiro em 1992).
Mas o que é Educação Ambiental?
Partindo do pressuposto de que é um processo que envolve educação política, proporcionando a aquisição de conhecimentos e faculdades capazes de gerar atitudes na busca cotidiana da cidadania, é também uma ideologia bastante simples e clara. Tem como base um conjunto de ideias que visam à melhoria da qualidade de vida, o equilíbrio dos ecossistemas e o desenvolvimento sustentável. A educação ambiental leva em conta a questão da integralidade do ser humano num contexto ético, exigindo reflexões e ações acerca das desigualdades sociais, da pobreza, da exclusão das pessoas aos bens e serviços e das relações de consumo que têm reflexos diretos nas relações humanas com a natureza.
De acordo com a Lei 9.795 de abril de 1999, que dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências, educação ambiental se constitui nos processos pelos quais indivíduo e coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, práticas e competências destinadas à conservação do meio ambiente, proporcionando a boa qualidade de vida e sua sustentabilidade. De acordo com a mencionada lei, a educação ambiental é essencial na educação do país e deve estar presente, de maneira articulada, em todos os níveis e modalidades educativas, tanto na educação formal como na educação não-formal.
A ética ambiental deverá ser um princípio norteador nas condutas necessárias para a reconstrução de paradigmas e nas relações do homem com o meio ambiente, exigindo reflexões contínuas a partir das ações antrópicas. Talvez o maior objetivo da educação ambiental seja promover ações que transformem a sociedade com bases mais justas, democráticas e equitativas. Por excelência, a educação ambiental é interdisciplinar, isto é, compõe-se de disciplinas diversas e leva em conta vários tipos de conhecimentos. A Geografia, Biologia e Ecologia, por exemplo, são disciplinas fundamentais no processo de ensino e aprendizagem da educação ambiental.
Educação ambiental é também emoção. Por isto, é importante usar a percepção e interpretação ambientais neste processo. A formação de atitudes e sensibilizações podem ser realizadas por meio de trilhas, passeios urbanos e na natureza, plantio de árvores, jogos, vídeos, brincadeiras e cartilhas. É preciso que haja entusiasmo por parte do educador ambiental, pois nem sempre o educando está disposto a aprender. Isto se constitui num importante desafio para os formadores de opiniões, professores e educadores.
Cabe ao Poder Público, de acordo com os artigos 205 e 225 da Constituição Federal, a definição de políticas que incorporem a dimensão ambiental e a promoção da educação ambiental em todos os níveis de ensino, bem como o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoras do meio ambiente; às instituições educativas cabem promover a educação ambiental de modo integrado aos diversos programas educacionais; aos órgãos que integram o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), aos meios de comunicação de massa, às empresas e à sociedade como um todo, cabem incorporar ações de educação ambiental integradas, colaborar de maneira ativa e permanente na difusão de informações e práticas educativas na programação, a capacitação de trabalhadores e formação de valores que implicam em atitudes e habilidades na prevenção, identificação e solução de problemas ambientais, respectivamente.
De modo geral, os princípios básicos da educação ambiental devem contemplar o enfoque humanista, participativo, democrático e holístico; a concepção de meio ambiente em sua totalidade com enfoque no desenvolvimento sustentável; o pluralismo de ideários e concepções pedagógicas; a ligação entre ética, trabalho, educação e práticas sociais; a diversidade individual e cultural; a contínua avaliação crítica do processo educativo, buscando novas alternativas de aprendizagem.
Um dos temas mais proeminentes da educação ambiental na atualidade e os desafios de sua prática envolvem a questão dos recursos hídricos, a falta de água potável no mundo, a fome, a pobreza, o racismo, a homofobia, a intolerância religiosa, política e de gênero. São vários os campos de atuação para o profissional da educação ambiental como, por exemplo, o ecoturismo, o turismo na natureza, o turismo de patrimônio (educação patrimonial), a conservação de unidades de conservação e a proteção dos biomas. Não é preciso ser um profissional da educação ambiental para começar a atuar. Desenvolva algum projeto ou atividade lúdica a partir de sua observação no seu bairro ou na sua cidade e perceba como é bom, divertido e gratificante.

Paisagem rural de Tanhaçu (Bahia). Foto: Joviniano Netto (03.06.2018)

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei 12.633. Institui o Dia Nacional da Educação Ambiental. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12633.htm

BRASIL. Lei 9.795. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/l9795.htm

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Paisagens simbólicas do Abrigo Santa Marta e da Chapada Diamantina (Bahia)

Uma leitura ampla e múltipla empreendida pelo imaginário da natureza e de uma paisagem singular nos remete aos primórdios da civilização humana e da evolução da Terra. Geopoética da gruta, do morro, da estrada. De início, essencialmente um conhecimento das manifestações imagéticas de pinturas rupestres – apontando intrínseca relação que define o homem como ser cultural – e diversos espeleotemas por quase toda a boca da gruta criam paisagens simbólicas e compõem narrativas visuais das mais variadas. A importância de lugares sagrados e tão raros se dá aos poucos.
A riqueza que se faz presente num local situado no município de Iraquara (BA), próximo ao Parque Nacional da Chapada Diamantina, revela, além das formações espeleológicas e das marcas de povos primitivos, um importante sítio arqueológico, testemunho mais autêntico da cultura humana no centro da Bahia. As imagens formam um verdadeiro quebra-cabeça. Juntas, a paisagem natural cárstica e a arqueologia encontram-se numa harmonia que se situa tanto no plano simbólico como no plano material, apontando intrínseca relação entre ocupação humana e grutas.
Vê-se neste (per)curso de caatinga baiana, além de pequenos muros e cercas de pedra (construídos pelos escravos no período colonial), formações naturais que propõem alegorias: um altar, uma multidão, uma formação que sugere a mais moderna das esculturas na entrada. Que tal, talvez, uma habitação subterrânea com orifícios para a claridade? Ou ainda, a metáfora de um mundo sensível e inteligível simbolizado pela sombra e pela luz? Lugar de refúgio ou de esconderijo, o Abrigo Santa Marta e suas figurações possibilitam permear o pensamento entre a racionalidade científica da gênese hidrogeoquímica e da vivência topofílica (ou topofóbica) do contato com a natureza. É caminhando com o olhar que se chega a uma primeira síntese do patrimônio geológico, espeleológico e arqueológico do local. Para mim, a experiência é das mais significativas.
De acordo com Beltrão (et al., 1988), a datação do uso de áreas cársticas na Bahia por grupos pré-históricos coincide com a de áreas cársticas dos sítios do Parque Nacional da Serra da Capivara, variando entre 57.000 e 6.500 AP, o que faz com que tais valores (embora não conclusivos) sejam considerados os mais antigos das Américas. São muitos os vestígios arqueológicos nas grutas próximas ao Parque Nacional da Chapada Diamantina, em especial na gruta Abrigo Santa Marta e na Lapa dos Caboclos, ambas em Iraquara. A pintura rupestre e a arte primitiva, ainda que em parte decifradas, expressam os valores e as ideias de sociedades extintas. O pintor pré-histórico usava a cor, o plano, o relevo e os movimentos nas suas pinturas, evoluindo nos estilos que vão do realismo figurativo à geometria das formas. As pinturas rupestres se destacam em todo levantamento espeleológico devido ao apelo visual e por mostrar ocupações pretéritas.
Nesse panorama, a sensibilidade da imaginação deve ser aguçada. Pergunto a um morador da região sobre o que ele acha da gruta mais próxima e para meu espanto ele não a conhece. “Escuto histórias, causos” que envolvem as representações pictóricas e o imaginário coletivo, me responde. Mas tem, antes de tudo, “um pouco de medo”. De fato, muitos são os aspectos fantasmagóricos na gruta. Basta um pouco de fantasia no pensamento. Pouco distante dali, no município de Morro do Chapéu (BA), vivia até a década de 1970, cerca de vinte famílias nas grutas areníticas, sendo que uma delas era destinada aos rituais de sacrifícios de pessoas que eram aprisionadas nas redondezas. Diante da prática medonha, a comunidade foi dispersa pela polícia e os líderes levados ao manicômio de Salvador, como relata Marechal Rondon (LINO, 1989).
O ar dentro da gruta é puro; a temperatura, a depender da menor ou maior intensidade de circulação do ar, tem caráter dinâmico. Encontram-se morcegos, conchas de caramujos da família Strophochelidae outrora carreadas pelas águas, ossadas de fauna acidental e troglóxenos (animais que, apesar de serem encontrados de forma regular nas cavernas, não são exclusivamente destes locais). Gota d’água por gota d’água, há milhares de anos, as paisagens cársticas e o relevo que envolvem grutas e cavernas são moldados. A marcação do tempo geológico não se dá por relógios.
Num universo como o das cavidades naturais, onde cada centímetro de formação espeleológica pode ter levado centenas de anos para existir, o tempo é amplo e quase infinito. Há variedade de aspectos morfológicos no Abrigo Santa Marta, a saber: paredes rochosas, fendas, estalactites e estalagmites, solo arenoso e argiloso, acúmulo de detritos orgânicos, guano de morcegos, represas secas de travertinos (que formavam pequenos lagos) e centenas de pinturas rupestres, incluindo formas humanas e zoomórficas, desenhos de círculos, de uma roda e de um sol voltados para o leste, peixes, répteis e mamíferos. Tanto fora como dentro da gruta, pequenas marmitas de erosão, morrotes areníticos erodidos e lapiás alveolares que lembram pilões. A parede calcária com pequenos buracos serve de morada para pássaros, morcegos, aranhas e opiliões. Um ecossistema perfeito, intocado, protegido por lei e pelos moradores locais.
Quase sempre permeia nas cavernas uma relação dialética entre bem e mal, dia e noite, sagrado e profano. Nas profundezas espeleológicas, a insuportável beleza das “estátuas” e flores de pedra, cortinas e colunas, é, para muitos, prova irrefutável da existência de um ser onipotente. Para outros, a perfeição do trabalho artesão diabólico ou mera ação da natureza. O fato é que, independentemente de explicação, a beleza comove em suas variadas formas e nos convida à exploração consciente. O enfoque fenomenológico pode trazer elementos para análises amplas de paisagens cavernícolas permeando racionalismos técnicos, científicos e econômicos e exercitando subjetividades na busca por um mundo melhor.
As questões que envolvem grutas e cavernas são controversas. Se por um lado se observam problemas de degradação e/ou atividades desorganizadas em algumas, por outro, vê-se a possibilidade de elaboração de plano de manejo espeleológico e de capacitação de agentes capazes de monitorar as atividades de visitação e preservação. Um plano de ação voltado ao turismo em sítios arqueológicos, grutas e cavernas necessita abranger diretamente todos os segmentos da atividade de modo participativo, como por exemplo, população local, turistas, professores, pesquisadores, guias especializados e demais atores sociais.
Considera-se a percepção humana como um pré-requisito para a obtenção de diferentes níveis de conscientização ambiental. Atuando em conjunto com os conhecimentos populares e científicos, sabe-se que esses elementos mostram forte potencial para que se promova a conservação da natureza. Como atividade consciente, o turismo é uma forma usada por visitantes de áreas especiais e protegidas, permitindo a percepção do ambiente e, desta maneira, a interpretação das áreas. Em maior ou menor intensidade, a interpretação gerada pela percepção ambiental é fator determinante no nível de conscientização dos visitantes, podendo alargar os horizontes e reduzir o nível de impactos negativos dentro de grutas e cavernas (HANAI; SILVA NETTO, 2005).
O Abrigo Santa Marta ainda não é aberto à visitação pública. Não por acaso, para que ocorram atividades turísticas é necessário muito planejamento, sendo também fundamental que aconteçam atividades de educação ambiental desenvolvidas no contexto do ecoturismo e do espeleoturismo. As práticas educativas devem focar nas propostas ligadas à questão do pertencimento. Um público bem específico se interessa por esse tipo de turismo. Entretanto, de antemão, deve-se reconhecer que grandes quantidades de pessoas ou grupos pequenos de visitantes (por ventura) insensíveis e com dificuldades de abandonar os hábitos urbanos (ou pelo menos não levá-los para a natureza) podem danificar os aspectos sobre o qual se sustenta o patrimônio espeleológico e arqueológico, tais como: formações espeleológicas, vegetação circundante, fauna e o inestimável testemunho espiritual de ancestrais representado pelas pinturas rupestres. Por isso, faz-se necessário ampliar a consciência da importância desse tipo de patrimônio continuamente, criando instrumentos educacionais e técnicos que sirvam efetivamente para a sua conservação.

REFERÊNCIAS

BELTRÃO, M. C. M. C.; DANON, J. A.; DORIA, F. A. M. A. Datação absoluta mais antiga para a presença humana na América. Rio de Janeiro: UFRJ, 1988.

HANAI, F. Y.; SILVA NETTO, J. P. Percepção e conscientização ambientais: alternativas para a preservação das cavidades naturais do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR). In: Simpósio Nacional sobre Geografia, Percepção e Cognição do Meio Ambiente. Anais... Londrina: UEL, 2005.

LINO, C. F. Cavernas: o fascinante Brasil subterrâneo. São Paulo: Editora Rios, 1989.

Muro de pedras próximo ao Abrigo Santa Marta, construído no período colonial.

Parede calcária do Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).

Pórtico da gruta Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).

Pórtico da gruta Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).

Aspecto interno do Abrigo Santa Marta. Estalactites.

Coluna. Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).





Travertino, estalactite e estalagmite no interior do Abrigo Santa Marta.

Conchas de caramujos da família Strophochelidae outrora carreadas pelas águas.



Joviniano Netto. Foto: Alex Rocha (2017).































Aspecto da parede calcária com destaque para algumas pinturas rupestres (bovídeos).

 





Zoomorfos, grafismos e formas geométricas. Pinturas rupestres, Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).

Zoomorfos. Pinturas rupestres, Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).

Zoomorfos. Pinturas rupestres, Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).





Zoomorfos e grafismos. Pinturas rupestres, Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).

Zoomorfos. Pinturas rupestres, Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).



Aspecto da parede calcária com destaque para algumas pinturas rupestres (grafismos).

Grafismos. Pinturas rupestres, Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).





Zoomorfos, grafismos e mãos. Pinturas rupestres, Abrigo Santa Marta, Iraquara (Bahia).







Paisagens do Vale do Capão, Chapada Diamantina (Bahia).
Fotos: Joviniano Netto. 24.08.2017.

Joviniano Netto. Foto: Alex Rocha (2017).