sábado, 6 de outubro de 2012

Iniciando uma coleção de obras de arte

Colecionar obras de arte (pinturas, esculturas e fotografias) requer, de antemão, paciência e gosto para pesquisar sobre diferentes épocas, estilos, originalidade, obtenção de declaração de autenticidade das obras por especialistas e cotações nos mercados nacional e internacional. Em alguns casos, os chamados "certificados de autenticidade" podem ser fornecidos pelo próprio artista no momento da compra ou por peritos na área. 
Estudos mais aprofundados para saber se uma obra de arte é autêntica podem ser os comparados que consideram, dentre outros meios, estilos, técnicas, caligrafia, assinaturas e documentos relacionados, como também aqueles que envolvem análises com usos de raio-x, fotografias com luzes infra-vermelhas e diversas, carbono 14, análises químicas, localização de impressões digitais e identificação, publicação de obras em livros e catálogos de exposições, dentre outros meios. Pesquisa arqueológica faz-se necessária em alguns casos. Isto dificulta o comércio de obras falsificadas ou reproduções e, no entanto, envolve alto custo financeiro.
É importante ter e consultar livros com fotos de desenhos, pinturas, gravuras, esculturas e outras formas de arte que possam compor um acervo. Visitar museus e exposições é fundamental. Quanto maior a diversidade, mais interessante e fácil fica reconhecer o que pode ser colecionável e, mais tarde, virar objeto de leilão e venda. 
Arte, além de servir pra decorar casas e escritórios, é um investimento. E dos bons, se considerarmos os altos valores de venda que algumas peças alcançam no mercado internacional. Só em São Paulo, por exemplo, no ano de 2012, o mercado de arte movimentou mais de 1 bilhão de reais. Pouca gente se dá conta de que uma obra de arte, depois de determinados anos, passa a ter, além do valor da autoria, o valor histórico; e este deve ser ponderado na valoração e avaliação.
Todas as semanas surgem dezenas de catálogos de leilões de obras de arte mundo afora. É interessante consultá-los. Isto nos dá uma ideia sobre os preços que obras de determinado artista alcançam em "casas de leilões oficiais" e servem como comparativo com obras compradas em feiras livres ou pela Internet.
Eu sigo a intuição e meu gosto quando saio pra comprar algum trabalho artístico. Tenho uma certa facilidade, pois além de estudar história da arte por conta própria, exercito meu olhar e uso a fotografia como instrumento para análise e comparação (inclusive antes da compra, quando o proprietário permite fotografar). 
Boas obras podem ser compradas por baixo preço, principalmente quando quem vende não conhece nada sobre a obra e a trata como apenas mais um produto. Como marchand, é mais interessante comprar obra barata e vender por um preço alto. Algumas coisas têm valor histórico, artístico e cultural inestimável. Nem todo mundo gosta de "velharias" ou "coisas velhas". Pessoas morrem todos os dias, coleções são desfeitas por várias razões, autorias se perdem pela ilegibilidade da assinatura e a obra passa a ser vendida por uma mixaria.
Quando a coleção estiver consistente, recomendo que sejam feitos catálogos e criadas teorias em torno das obras e dos artistas. Um colecionador pode vir a tornar-se teórico, divulgar pintores e escultores "esquecidos", iluminar nossa ignorância em torno das variadas facetas da arte. 
Todo colecionador de obras de arte que conheço é, também, vendedor e/ou marchand. Arte é coisa séria. Como tal, constitui-se em patrimônio material e muitas vezes sua conservação é de interesse da humanidade. Desta forma, em alguns casos incluindo o tombamento como um santo remédio, é interessante cadastrar a coleção no site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN, no sistema do Cadastro Nacional de Negociantes de Antiguidades e Obras de Arte, CNART.